
Quando o Sol bater
Na janela do teu quarto
Lembra e vê
Que o caminho é um só[1]
A relação entre energia e sustentabilidade é um dos temas mais críticos para o desenvolvimento, exige equilíbrio entre o crescimento econômico, a proteção ambiental e o bem-estar social. Este é o desafio do ODS7. Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todas e todos.
Combustíveis fósseis (carvão mineral, petróleo e gás natural) são responsáveis por 80% da geração de energia global, representam mais de 70% das emissões de gases de efeito estufa, principais causadores das mudanças climáticas. Essa matriz energética poluidora e não renovável é o grande motor do crescimento desde a revolução industrial, possibilitou o desenvolvimento de indústrias e de um modelo de vida e organização social com disponibilidade contínua de energia para boa parte dos países e suas populações. Ao mesmo tempo também produziu um impacto negativo também contínuo ao meio ambiente.
Não há como atingir as metas climáticas do Acordo de Paris sem tornar obsoleta esta indústria de exploração dos combustíveis fósseis que possui energia suficiente para literalmente queimar nosso planeta.
Neste momento já existem soluções para substituir progressivamente este sistema arcaico de geração de energia por fontes renováveis (solar, eólica, biomassa) descarbonizando a economia. E isso pode ser feito de forma a atender ao Trilema da Energia, desafio central dos sistemas energéticos modernos proposto pelo World Energy Council (Conselho Mundial de Energia), que precisam de resultados em 3 dimensões interdependentes: Segurança Energética – capacidade de gerenciar de forma confiável a infraestrutura existente e futura, garantindo o suprimento ininterrupto e a resiliência contra choques geopolíticos ou climáticos; Equidade e Acessibilidade Energética – garantia de que a energia seja acessível financeiramente e universalmente disponível para todas as parcelas da população, combatendo a pobreza energética; Sustentabilidade Ambiental – mitigação dos impactos ambientais, focando na transição para fontes de baixo carbono, eficiência energética e redução drástica das emissões de gases de efeito estufa (GEE).
Investir na modernização do sistema energético significa promover justiça social e combate a pobreza energética, energia limpa e acessível melhora a saúde pública, a educação e a produtividade, permite que comunidades mais vulneráveis participem do desenvolvimento econômico ao mesmo tempo que colabora com a mitigação climática do aquecimento global.
As decisões de agora podem mudar o destino de toda a humanidade, não é necessário autorizar novos locais de exploração de fósseis, mas promover a transição de toda a cadeia de valor da energia, inovação e tecnologia para criar redes inteligentes, baterias mais eficientes, profissionais mais capacitados para entender e utilizar as fontes renováveis que existem e para imaginarem novas e modernas fontes de energia.
O sol nasce todos os dias para todas e todos. Vamos colocar a energia humana para criar um sistema energético sustentável.
Enquanto houver Sol
Ainda haverá[2]
[1] Letra de QUANDO O SOL BATER NA JANELA DO SEU QUARTO. Compositores: Eduardo Dutra Villa-lobos (Dado Villa-lobos) (ABRAMUS), Marcelo Augusto Bonfa (Marcelo Bonfa) (UBC), Renato Manfredini Junior (Renato Russo) (ABRAMUS). Editores: Coracoes Perfeitos Edicoes Musicais Ltda. (ABRAMUS), Legiao Urbana Producoes Artisticas Ltda. (ABRAMUS). Administração: Sony Music (UBC)
[2] Letra de ENQUANTO HOUVER SOL. Compositor: Sergio de Britto Alvares Affonso (Sergio Britto) (ABRAMUS). Editor: Warner (UBC).

A energia é a espinha dorsal da atividade econômica moderna, fundamental para impulsionar a industrialização, viabilizar a transição digital e garantir a prosperidade de negócios.
Atualmente as empresas buscam melhorar seu consumo de energia, com viés de custo e abastecimento contínuo como deve sempre ser numa gestão empresarial profissional, mas também pelo impacto de emissões ao seu Escopo 2, procuram obter fontes renováveis, muitas inclusive investindo em autogeração de energia.
Esse esforço para descarbonizar o sistema energético é um bom começo para C.R.I.A.R. negócios mais sustentáveis, que devem ser acompanhados do desenvolvimento de serviços e produtos que utilizam energia de forma mais eficientes e sempre de fontes limpas, principalmente com soluções para o setor da tecnologia e inteligência artificial que são grandes consumidores de energia. E o mais importante, negócios devem propor soluções para que a segurança energética seja sustentável e acessível a todas e todos.

Estou compondo este texto e mais uma série que o seguirão conduzido pelos ODS, seus 17 objetivos resumem muito bem os desafios que precisam ser enfrentados para garantir a sobrevivência, o crescimento e a perpetuação de nós como seres humanos e como gestores de negócios. Como inspiração também estou usando um pouco de música, o bom e atual Rock Brasileiro dos anos 80, com a liberdade criativa de separar algumas frases das músicas que curto para dar significado as minhas reflexões.
Fiz uma playlist pública no Spotify “Rock 2030” para embalar o desenvolvimento sustentável, ouça em: https://open.spotify.com/playlist/52atDD1gcGSWGaQ34PmsxQ?si=62b8834de92d407d.

Confira algumas informações sobre o ODS7. Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todas e todos no relatório de acompanhamento de 2026 da ONU[1].
- Acesso à Eletricidade: A porcentagem da população global com acesso à eletricidade subiu para 92% em 2023, restando cerca de 675 milhões de pessoas sem energia — a grande maioria concentrada na África Subsaariana (onde mais de 80% das pessoas sem eletricidade vivem).
- Energias Renováveis: A parcela de fontes renováveis no consumo total de energia final atingiu 19,3%. A capacidade global de energia renovável instalada cresceu em ritmo recorde (impulsionada por energia solar e eólica), mas a transição energética ainda é desigual, com fluxos financeiros públicos internacionais para energia limpa em países em desenvolvimento caindo em comparação aos picos anteriores.
- Eficiência Energética: A taxa de melhoria da intensidade energética global melhorou, mas continua abaixo dos 2,6% anuais necessários para duplicar a eficiência até 2030.
- Cozimento Limpo: Cerca de 2,1 bilhões de pessoas ainda dependem de combustíveis poluentes e tradicionais (como biomassa, carvão e querosene) para cozinhar, gerando graves impactos respiratórios e climáticos.
[1] Fonte: https://brasil.un.org/sites/default/files/2026-07/The-Sustainable-Development-Goals-Report-2026.pdf
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