
Com tanta riqueza por aí
Onde é que está? Cadê sua fração?[1]
Tem um motivo enorme para que o primeiro Objetivo do Desenvolvimento Sustentável seja ODS. 1 Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares: a pobreza representa a principal externalidade negativa histórica de nosso modelo de desenvolvimento atual, onde sucesso, status e riqueza parecem poder existir apenas se do outro lado exista fracasso, anonimato e pobreza.
E o mais impactante deste cenário é a evidência que a riqueza que existe em nosso planeta deveria ser mais que suficiente para gerar bem-estar para todas as pessoas que vivem aqui na Terra, nosso mundo possui recursos, tecnologia e dinheiro suficiente para acabar com a pobreza extrema e mesmo assim, para centenas de milhões de pessoas, essa riqueza permanece um conceito abstrato, distante e inalcançável.
A pobreza persiste não por falta de riqueza global, mas pela distribuição profundamente desigual do acesso a ela, quase metade da população mundial vive com menos de 8,30 dólares por dia. Um relatório da Oxfam de 2025[2] apontou que a riqueza do 1% mais rico do mundo poderia acabar com a pobreza global 22 vezes.
Com tanta riqueza por aí, apenas uma pequena fração dela poderia prover acesso universal para todos os habitantes do nosso planeta a direitos básicos para alimentação, saneamento, saúde, educação, moradia digna, trabalho decente e a um sistema de proteção social e recursos financeiros que garantiriam resiliência em momentos de crises econômicas e principalmente para as crises climáticas, que já estão piorando ainda mais a qualidade de vida dos mais pobres.
Manter as pessoas em condições radicais de privação precisa deixar de fazer parte de nossa sociedade e de nossos negócios, a pobreza não pode continuar a preencher oportunidades de mão de obra barata ou ser tratada como nicho de baixa renda a ser explorado ou como uma externalidade inevitável do desenvolvimento. Essa forma gerar crescimento fez nosso modelo de desenvolvimento ser miserável, consentimos que milhões de nossos semelhantes vivam sem qualquer dignidade mesmo estando em uma sociedade que apresenta sinais de riquezas evidentes. Nossa miséria não é no sentido de existirem indivíduos demais na condição de indigência e pobreza extrema, a miséria do desenvolvimento vai além da mera escassez econômica da pobreza material, abrange dimensões morais e sociais que anulam a dignidade humana de todos nós.
Acabar com a pobreza não depende só de dinheiro, ou pelo menos não deveria depender, já que dinheiro para isso existe. Para acabar com a pobreza precisamos mudar a forma miserável de enfrentá-la, não é sobre números, gráficos ou estatísticas econômicas, É SOBRE GENTE. E URGENTE!
A pobreza não é inevitável, mas:
Miséria é miséria em qualquer canto
Riquezas são diferentes[3]
[1] Letra de ATÉ QUANDO ESPERAR. Compositores: Andre Philippe de Seabra (Philippe Seabra) (ABRAMUS), Andre Pinheiro Machado Mueller (Andre X) (ABRAMUS), Carlos Augusto Woortmann (Gutje Woortmann) (UBC). Editor: Sony Music (UBC).
[2] Fonte: https://www.oxfam.org.br/riqueza-1porcento-acabar-pobreza-22-vezes-oxfam/
[3] Letra de MISÉRIA. Compositores: Arnaldo Augusto Nora Antunes Filho (Arnaldo Antunes) (UBC), Paulo Roberto de Souza Miklos (Paulo Miklos) (ABRAMUS), Sergio de Britto Alvares Affonso (Sergio Britto) (ABRAMUS). Editores: Rc (UBC), Warner (UBC). Administração: Pommelo Distribuições (UBC), Warner (UBC).

A pobreza é uma tragédia humana e social que interfere diretamente sobre a prosperidade macroeconômica e sobre a eficiência das empresas. Muitos negócios trabalham com o mercado de baixa renda como oportunidade de gerar valor, com produtos e serviços acessíveis para os que possuem poder de compra limitado a itens básicos de baixíssima margem. Isso limita também o crescimento das empresas que dependem da expansão contínua de sua base de cliente para gerar resultados.
Apesar destes negócios para o mercado de baixa renda serem importantes para a população mais vulnerável, passou da hora das empresas enxergarem a pobreza apenas como um mercado a ser explorado, devem C.R.I.A.R. modelos de negócios de impacto para que esta parcela da população global possa conquistar estabilidade econômica e serem incluídas financeiramente em nossa sociedade.
Seja com a criação de emprego, pagamento de salário justo, com investimento comunitário ou com novos empreendimentos com o propósito de acabar com a pobreza no mundo para gerar valor, as empresas podem e devem colaborar para que ninguém fique à margem do desenvolvimento.

Estou compondo este texto e mais uma série que o seguirão conduzido pelos ODS, seus 17 objetivos resumem muito bem os desafios que precisam ser enfrentados para garantir a sobrevivência, o crescimento e a perpetuação de nós como seres humanos e como gestores de negócios. Como inspiração também estou usando um pouco de música, o bom e atual Rock Brasileiro dos anos 80, com a liberdade criativa de separar algumas frases das músicas que curto para dar significado as minhas reflexões.
Fiz uma playlist pública no Spotify “Rock 2030” para embalar o desenvolvimento sustentável, ouça em: https://open.spotify.com/playlist/52atDD1gcGSWGaQ34PmsxQ?si=62b8834de92d407d.

Confira algumas informações sobre o ODS 1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares apresentadas no relatório de acompanhamento de 2026 da ONU[1].
Linha de Pobreza Revisada: Em junho de 2025, o Banco Mundial elevou a linha internacional de pobreza de US$ 2,15 para US$ 3,00 por dia (PPC de 2021). Sob esse novo patamar, estimou-se que 808 milhões de pessoas (9,9% da população mundial) viverão em extrema pobreza em 2025. Mais de 75% dos extremamente pobres vivem na África Subsaariana ou em países afetados por conflitos.
Trabalho Infantil e Vulnerável: Em 2024, 6,9% da população empregada (mais de 240 milhões de trabalhadores) vivia em situação de pobreza extrema. Nos países menos desenvolvidos, quase 3 em cada 10 trabalhadores viviam nessa condição.
Proteção Social: Em 2023, 52,4% da população mundial era coberta por pelo menos um benefício de proteção social (acima dos 42,8% em 2015). Contudo, 3,8 bilhões de pessoas continuam totalmente desprotegidas, concentradas majoritariamente em países de baixa renda (onde a cobertura é de apenas 9,7%). Garantir pisos básicos de seguridade social exige US$ 1,4 trilhão adicional por ano.
Terras e Gênero: Apenas 43% dos adultos possuem documentos oficiais de propriedade da terra, e entre as mulheres esse índice cai para 24%.
[1] Fonte: https://brasil.un.org/sites/default/files/2026-07/The-Sustainable-Development-Goals-Report-2026.pdf
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