Desenvolvimento sustentável: decifra-me ou te devoro

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Sustentabilidade é um tema muito discutido nos últimos anos, principalmente no que tange aos aspectos dos limites que o planeta impõe ao estilo de vida humano e ao controle necessário que deve existir durante o processo de exploração, transformação, consumo e descarte dos recursos utilizados para atender às necessidades de sobrevivência das pessoas.

Mas incorporar a sustentabilidade na matriz do desenvolvimento requer muito mais do que o pensamento de preservar a natureza ou de usar e descartar recursos com maior responsabilidade. É necessário refletir e criar uma compreensão e um compromisso maior sobre todos os aspectos que o desenvolvimento precisa ter para tornar-se sustentável

O modelo de desenvolvimento adotado pela era industrial é baseado no crescimento exponencial, infinito e ininterrupto da economia, quase como uma obsessão do mercado. Este crescimento econômico contínuo e buscado a qualquer custo, materializa tudo através da transformação de aspectos da vida humana em coisas, e não é a toa que o principal indicador de crescimento mundial, o Produto Interno Bruto (PIB), é amparado principalmente na produção de bens de consumo. Esta prática provocou uma crise sem precedentes na natureza, colocando a resiliência da vida humana e dos ecossistemas a beira do limite de operação. 

Isto trouxe uma grande preocupação com os impactos negativos que o desenvolvimento produz sobre os ambientes naturais do planeta. Mas a grande verdade sobre o desenvolvimento sustentável é que ele não se refere a salvar o planeta. 

O planeta já passou por outras catástrofes e de alguma forma em sua evolução, encontrou um caminho para a regeneração. E caso, ou quando, este modelo antigo de desenvolvimento ultrapasse todos os limites planetários, causando a perda dos serviços ambientais que possibilitam a vida humana sobre a Terra, é bem provável que no futuro, mesmo que longínquo, o planeta volte a ter ambientes naturais saudáveis e suportar formas de vida, mesmo diferentes das conhecidas hoje.

A definição clássica de desenvolvimento sustentável, trata o desenvolvimento como a satisfação as necessidades da geração atual sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades. Isto coloca o foco do desenvolvimento sustentável na perpetuação vida humana.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) relaciona o desenvolvimento com a possibilidade das pessoas viverem o tipo de vida que escolheram, com a provisão dos instrumentos e das oportunidades para fazerem suas escolhas. Este conceito insere outros aspectos neste processo, como oportunidades e recursos para que todas as pessoas possam buscar seu próprio desenvolvimento e em liberdade.

“Desenvolvimento sustentável refere-se à integração de objetivos de alta qualidade de vida, saúde e prosperidade com justiça social e manutenção da capacidade da Terra de suportar a vida em toda a sua diversidade. Esses objetivos sociais, econômicos e ambientais são interdependentes e reforçam-se mutuamente. Desenvolvimento sustentável pode ser tratado como uma forma de expressar as expectativas mais amplas da sociedade como um todo.“ (ISO 26000, 2010, p. 4).

A ISO 26000 de Responsabilidade Social trás para o desenvolvimento sustentável o equilíbrio necessário que este processo deve ter nas 3 dimensões da sustentabilidade: Planet (Planeta), People(Pessoas),Profit(Lucro). E aponta que o caminho do desenvolvimento é a visão sistêmica, de interdependência, que cada uma destas dimensões possui.

O planeta não precisa de salvação, mas a natureza sem harmonia não permitirá que as pessoas construam bem-estar para viver, assim como, sem crescimento econômico, a sociedade não conseguirá promover a prosperidade que garanta que suas necessidades sejam atendidas.

Por isso a visão tradicional das 3 dimensões sustentabilidade precisa ser atualizada pela visão sistêmica do desenvolvimento sustentável, colocando uma ótica de integração plena entre elas.

A Agenda 2030 da Organizações das Nações Unidas (ONU) contribui para o entendimento sobre o modelo de desenvolvimento sustentável com esta visão sistêmica, apresentando-o como um plano de ação para as pessoas, para o planeta e para a prosperidade, que pretende fortalecer a paz e a liberdade mundial.

Mais conhecida como Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), possui 17 objetivos e 169 metas para o desenvolvimento global, que trarão enormes ganhos para todas as pessoas em todas as partes do mundo.

Mais que um plano, a Agenda 2030 representa uma grande ambição ao convocar os diversos setores da sociedade em uma jornada coletiva para colocar o mundo num caminho sustentável e resiliente, com o compromisso que ninguém seja deixado para trás.

Os ODS possuem uma visão sistêmica para o desenvolvimento sustentável de forma prática, e suas metas devem ser incorporadas em todas as atividades humanas para trazer as respostas necessárias para atender aos desafios que que a sustentabilidade impõe, interligando a biosfera, a sociedade e os negócios.

O desenvolvimento é acima de tudo humano e não será conquistado apenas com crescimento econômico. Torná-lo sustentável depende da colaboração de todos para buscar prosperidade econômica mantendo a resiliência do meio ambiente, com o propósito maior de gerar riquezas e bem-estar para todas as pessoas da sociedade.


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