Quando bate aquela “fominha”

Compartilhe

Quem não tem filé

Come pão e osso duro

Quem não tem visão

Bate a cara contra o muro[1]

Provavelmente vocês que estão lendo este texto agora, como eu, não fazem ideia do efeito avassalador que a fome provoca em um ser humano. Ter a certeza de poder fazer pelo menos 3 refeições nutritivas diariamente ainda não é uma realidade para todas as pessoas de nosso planeta. O segundo Objetivo do Desenvolvimento Sustentável ODS 2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável fixou metas para que ninguém sofra a privação de um Direito Humano Fundamental: alimentação adequada é a base para a sobrevivência, dignidade e desenvolvimento pleno de qualquer indivíduo.

O assunto definitivamente não é sobre aquela “fominha” que tantas marcas já exploraram, não é nem de picanha nem de filé para todos, nem de ossos que de alguma maneira momentaneamente poderiam saciar a fome de uma família (ainda me lembro na época da pandemia de Covid o preço que os ossos, muitas vezes antes descartados, alcançaram para a venda). O problema é de pele e osso, aparência de como as pessoas com fome, baixa nutrição e insegurança apresentam, produzindo efeitos ainda mais severos, na infância causam graves prejuízos físicos, cognitivos e emocionais, podendo gerar danos irreversíveis ao cérebro e ao desenvolvimento geral da criança, em adultos causa perda de massa muscular, queda da imunidade, maior risco de infecções graves, cansaço extremo e falta de disposição para tarefas diárias.

A fome é uma contradição histórica: a humanidade com o planeta produz comida suficiente para alimentar toda a população global, mas desperdiça mais de 1 bilhão de toneladas de alimentos por ano, o que equivale a mais de 1 bilhão de refeições jogadas fora diariamente, desde a colheita, transporte e durante o preparo e consumo. Esse descarte de alimentos ainda gera de 8% a 10% das emissões globais de gases de efeito estufa e um prejuízo financeiro: de cerca de 1 trilhão de dólares por ano. Uma conta cara de mais para toda a sociedade e para o planeta.

Como Raul já dizia, é tanta coisa no menu …..O problema central da fome não é a falta de produção, mas o acesso. A pobreza extrema impede que famílias comprem alimentos disponíveis no mercado e quem tem acesso ainda joga no lixo toneladas de comida diariamente. Guerras e conflitos também aumentam a fome, interrompem cadeias de suprimento, destroem plantações e forçam o deslocamento de populações inteiras. E agora com o agravamento das mudanças climáticas, eventos extremos (secas severas, enchentes e ondas de calor) colocam em risco colheitas, afetam principalmente a agricultura de subsistência o que pode aumentar ainda mais o número de pessoas sem acesso a alimentos.

A fome devora qualquer possibilidade de alcançar um modelo de desenvolvimento sustentável e mata mesmo antes da terra ser semeada com corpos sem vida, ela assassina sonhos, enterra esperanças de uma existência digna, perpetua o ciclo da pobreza de geração em geração.

Ninguém com fome pode viver uma vida plena, precisamos aumentar nosso apetite para colocar a fartura no cardápio de nosso mundo. Para todo Mundo!

A gente não quer só comida

A gente quer a vida como a vida quer[2]


[1] Letra de COMO VOVÓ JÁ DIZIA. Compositores: Paulo Coelho de Souza (Paulo Coelho) (UBC), Raul Santos Seixas (Raul Seixas) (UBC). Editores: Kika Seixas Producoes Artisticas Ltda. (UBC), Warner (UBC)

[2] Letra de COMIDA. Compositores: Arnaldo Augusto Nora Antunes Filho (Arnaldo Antunes) (UBC), Marcelo Fromer (UBC), Sergio de Britto Alvares Affonso (Sergio Britto) (ABRAMUS). Editores: Rc (UBC), Warner (UBC). Administração: Pommelo Distribuicoes (UBC).

A fome e a insegurança alimentar geram estagnação econômica e prejuízos diretos para o setor produtivo, colaboradores em situação de vulnerabilidade alimentar ou nutricional apresentam menor rendimento físico e mental, maior fadiga e maior propensão a acidentes operacionais e faltas (absenteísmo), assim como um mercado composto de pessoas famintas e desnutridas não consegue atingir seu potencial para trocas de valor entre as partes.

Não estamos falando daquela “fominha”, uma vontade de comer alguma coisa. Muitas técnicas de venda exploram o momento de fome para que as pessoas consumam mais, nem sempre melhor.

Erradicar a fome e C.R.I.A.R. modelos de negócio de impacto para zelar pela boa nutrição das pessoas deve ser uma missão implacável para as empresas, não só para as que atuam nesta cadeia do mercado de alimentação, mas para qualquer organização inserida em regiões que sofram com a insegurança alimentar, e são muitas.

Novas ideias para promoção da agricultura sustentável, apoiar pequenos produtores através da integração em cadeias de suprimento globais e justas e o desenvolvimento de alimentos nutritivos, acessíveis juntamente com o combate ao desperdício na cadeia logística são necessárias para o pleno desenvolvimento humano e eficiência dos mercados.

Estou compondo este texto e mais uma série que o seguirão conduzido pelos ODS, seus 17 objetivos resumem muito bem os desafios que precisam ser enfrentados para garantir a sobrevivência, o crescimento e a perpetuação de nós como seres humanos e como gestores de negócios. Como inspiração também estou usando um pouco de música, o bom e atual Rock Brasileiro dos anos 80, com a liberdade criativa de separar algumas frases das músicas que curto para dar significado as minhas reflexões.

Fiz uma playlist pública no Spotify “Rock 2030” para embalar o desenvolvimento sustentável, ouça em: https://open.spotify.com/playlist/52atDD1gcGSWGaQ34PmsxQ?si=62b8834de92d407d.


Confira as principais informações sobre o ODS 2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável apresentadas no relatório de acompanhamento de 2026 da ONU[1].

  • Choques globais estão dificultando o progresso em direção à meta de fome zero. A fome e a insegurança alimentar diminuíram desde 2021, mas ambas permanecem acima dos níveis de 2015. Conflitos, instabilidade econômica e pressões climáticas continuam a desestabilizar os sistemas alimentares, sendo que a crise no Oriente Médio representa riscos graves para a insegurança alimentar global.
  • A nutrição infantil está melhorando, mas o progresso é lento em algumas regiões. Em nível global, o número de crianças menores de 5 anos com retardo de crescimento e com baixo peso para a altura (emaciação) diminuiu 30,2 milhões e 8,1 milhões, respectivamente, entre 2012 e 2024. No entanto, a melhoria nutricional não acompanhou o rápido crescimento populacional nessa faixa etária em algumas regiões, limitando os ganhos gerais e ressaltando a necessidade de ampliar as intervenções nutricionais.
  • O progresso rumo a uma agricultura produtiva e sustentável permanece moderado. O índice de tendência para o período de 2015 a 2024 mostrou uma melhoria modesta, atingindo 4,0 de um total de 5, mas a pontuação atual de 3,3 sugere que o mundo não está avançando com rapidez suficiente para alcançar a meta de 2030. A produtividade agrícola e as condições de emprego continuam sendo os principais desafios.
  • Acelerar o progresso exige investir em sistemas alimentares resilientes e inteligentes em relação ao clima – combinando programas de proteção social e nutrição que protejam os mais vulneráveis contra choques com medidas voltadas para pequenos agricultores nas áreas de produtividade, adaptação climática e trabalho decente.

[1] Fonte: https://brasil.un.org/sites/default/files/2026-07/The-Sustainable-Development-Goals-Report-2026.pdf


Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *