Acorde para o desenvolvimento sustentável

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O que você está fazendo?

Milhões de vasos sem nenhuma flor[1]

Esta pequena frase da música Relicário representa bem o que as péssimas decisões da jornada humana pelo crescimento econômico terão como resultado: manter este ritmo de crescimento sem considerar as externalidades negativas confirmará o legado de nossa existência apenas como vasos sem flores.

Acredito que transformar o modelo de desenvolvimento com a sustentabilidade como estratégia central precisará de mais, não menos e não mais do mesmo como usualmente fomos condicionados a produzir para atender necessidades humanas e gerar valor para as pessoas e aos negócios.

Essa crença num modelo de desenvolvimento transformador em parte é uma questão de fé, que proclama a urgência de encontrar um espírito mais humano para a forma de fazer negócios, também é uma constatação amparada em evidências do mau uso e ocupação de nosso único planeta. Outra parte desta canção diz que o mundo está ao contrário e ninguém reparou. Os sinais dos impactos negativos do modelo de desenvolvimento que construiu a economia ao redor do mundo estão a cada dia mais inquestionáveis e fora de compasso.

A narrativa que os principais desafios enfrentados atualmente aos limites planetários são naturais e não possuem causas humanas não consegue mais se sustentar. É necessário mudar o ritmo com uma nova harmonia para gerar bem-estar para todos os habitantes do nosso planeta. E o planeta não pode ficar pequeno demais para nós todos.

O conhecimento científico acumulado nas últimas décadas é suficiente para mudar o tom do modelo de desenvolvimento atual e tocar uma melodia mais sustentável para atender as ambições e necessidades humanas como sociedade organizada. Esta consciência que o caminho do desenvolvimento está ao contrário motivou a composição de um compromisso coletivo com 193 países dividindo responsabilidades para os mais diferentes stakeholders: a Agenda 2030 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS).

Relicário é um lugar destinado para guardar ou proteger coisas preciosas e/ou relíquias, aquilo que tem um valor imenso, que é muito precioso. Nosso planeta é um relicário e a Agenda 2030 é um manual para zelarmos por ele.

Peço que você reflita um pouco sobre sua forma de viver e trabalhar e de como colabora para a sustentabilidade ser uma realidade no seu dia a dia e em seus negócios. Não desafine, confio que juntos podemos transformar o modelo de desenvolvimento humano e criar negócios sustentáveis. O show deve continuar!

O que você está fazendo?

Isso é o que me faz dizer…

Que vejo flores em você![2]


[1] Letra de RELICÁRIO. Compositor: Jose Fernando Gomes dos Reis (Nando Reis) (UBC). Editor: Warner (UBC).

[2] Letra de FLORES EM VOCÊ. Compositor: Edgard Jose Scandurra Pereira (Edgard Scandurra) (UBC). Editor: Warner (UBC).

A agenda 2030 é um excelente farol para C.R.I.A.R negócios de impacto e com propósito. As empresas precisam assumir o protagonismo e ir além de mitigar impactos negativos para gerar valor positivo por meio de seus modelos de negócios, inovações e investimentos.

Os riscos de não colocar a sustentabilidade como estratégia dos negócios são muitos, tanto para a prosperidade do próprio negócio como para a qualidade de vida para todas as pessoas de nosso único planeta. Assim como as oportunidades.

Pioneirismo em inovação para a sustentabilidade deve guiar as decisões dos negócios com a gestão ESG como responsável por reduzir custos operacionais, diminui riscos com a cadeia de suprimentos, atrair talentos e um perfil de investidor diferenciado. E o mais importante, o desenvolvimento sustentável é uma vantagem competitiva que garante não só a sobrevivência dos negócios, mas seu crescimento e perpetuação através de marcas poderosas para impactar a reputação das empresas.

O plano é simples, os negócios devem continuar a resolver problemas humanos com o compromisso de não causar novos problemas.

Estou compondo este texto e mais uma série que o seguirão conduzido pelos ODS, seus 17 objetivos resumem muito bem os desafios que precisam ser enfrentados para garantir a sobrevivência, o crescimento e a perpetuação de nós como seres humanos e como gestores de negócios. Como inspiração também estou usando um pouco de música, o bom e atual Rock Brasileiro dos anos 80, com a liberdade criativa de separar algumas frases das músicas que curto para dar significado as minhas reflexões.

Fiz uma playlist pública no Spotify “Rock 2030” para embalar o desenvolvimento sustentável, ouça em: https://open.spotify.com/playlist/52atDD1gcGSWGaQ34PmsxQ?si=62b8834de92d407d.


 A Agenda 2030 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU entra em reta final para cumprir todas as metas estabelecidas.

A promessa central da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável — de não deixar ninguém para trás — permanece ao nosso alcance, mas apenas se agirmos de forma decisiva e imediata.

No relatório de acompanhamento de 2026[1], a ONU destaca que faltando apenas 4 anos para a data alvo dos ODS e conclui que as metas estabelecidas em 2015 nunca estiveram além da nossa capacidade, de lá para cá existiram grandes progressos, mas ainda é preciso reunir a determinação necessária para terminar o que começamos.

Visão Geral do Progresso: Apenas 35% das metas dos ODS estão no caminho certo ou apresentando progresso moderado; quase metade está avançando muito devagar e 18% estão em retrocesso. O relatório aponta uma “emergência global de desenvolvimento” agravada por conflitos, mudanças climáticas, tensões geopolíticas e choques econômicos.

Conquistas Globais: Desde 2015, mais da metade da população global beneficia-se de alguma forma de proteção social; as taxas de mortalidade infantil e materna caíram; a proporção de mulheres em parlamentos subiu para 27%; e a conectividade à internet aumentou em 70%.

Crises e Desafios: Mais de 800 milhões de pessoas continuam presas à extrema pobreza e à fome. O ano de 2024 foi o mais quente já registrado, ultrapassando o limite de 1,5 °C, e mais de 120 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas. Os custos de serviço da dívida em países de baixa e média renda atingiram o recorde de US$ 1,4 trilhão.

Disponibilidade de Dados: Cerca de 70% dos indicadores possuem boa cobertura de dados hoje, e todas as 234 métricas contam com metodologias bem estabelecidas. No entanto, as metas ligadas à igualdade de gênero (ODS 5), ação climática (ODS 13), vida na água (ODS 14) e paz e justiça (ODS 16) continuam com cobertura de dados abaixo de 40%.

Fragilidade Financeira: O apoio financeiro internacional para dados cresceu para US$ 875 milhões entre 2015 e 2022, mas o financiamento depende de poucos doadores (o Banco Mundial e os EUA respondem por uma fatia massiva).

Impacto da Suspensão de Programas: A interrupção abrupta de financiamentos externos (como os cortes da USAID em fevereiro de 2025 que paralisaram as Demographic and Health Surveys — DHS) ameaça o monitoramento de dezenas de indicadores essenciais, principalmente em países de baixa renda e na África Subsaariana.

Destaques positivos do progresso em uma era de crises do relatório 2026 da ONU

  • Desde 2015, centenas de milhões de pessoas obtiveram acesso a água potável e saneamento;
  • A eletricidade agora chega a 92% da população mundial, sendo que um terço é abastecido por fontes renováveis;
  • O acesso à internet saltou de 40% para 74%, conectando bilhões de pessoas a novas oportunidades educacionais e econômicas;
  • As novas infecções por HIV e as mortes relacionadas à AIDS caíram, ambas, cerca de um terço;
  • 59 países eliminaram pelo menos uma doença tropical negligenciada;
  • 134 países atingiram a meta de redução da mortalidade infantil;
  • Pela primeira vez na história, a proteção social abrange mais da metade da população mundial;
  • As mortes relacionadas a desastres caíram 65% em comparação com a década anterior;
  • Transformamos nossa capacidade de monitorar esse progresso – Há uma década, não dispúnhamos de dados para metade dos indicadores dos ODS; hoje, um banco de dados global com 3 milhões de registros cobre praticamente todos os indicadores, permitindo-nos ter uma visão clara, definir alvos precisos e assumir a responsabilidade pelos resultados.

Destaques negativos do progresso em uma era de crises do relatório 2026 da ONU

  • Das 139 metas para as quais é possível calcular tendências históricas confiáveis, apenas 36% estão no caminho certo ou apresentando progresso moderado;
  • Quase metade (49%) avança muito lentamente;
  • e 15% regrediram para níveis inferiores aos de 2015.
  • Uma em cada dez pessoas ainda vive em situação de extrema pobreza;
  • A insegurança alimentar afeta 2,3 bilhões de pessoas, permanece muito acima dos níveis de 2015;
  • Cerca de 2,1 bilhões de pessoas (aproximadamente uma em cada quatro) não têm acesso a serviços de água potável com gestão segura;
  • Mais de 150 milhões de crianças sofrem de retardo no crescimento;
  • A mortalidade materna permanece quase três vezes acima da meta global;
  • A discriminação cotidiana — ainda vivenciada por uma em cada cinco pessoas em todo o mundo — continua a limitar o potencial humano.

E todos os problemas e desafios que precisamos enfrentar ainda são agravados pela convergência de crises planetárias de origem humana:

  • Aquecimento Global: Em 2025, as temperaturas globais atingiram 1,43°C acima dos níveis pré-industriais, e a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera alcançou seu nível mais alto em 2 milhões de anos.
  • Guerras: Conflitos violentos atingiram seus níveis mais elevados em décadas, revertendo anos de desenvolvimento em poucos meses e provocando o deslocamento forçado de 118 milhões de pessoas.
  • Financiamento: a assistência oficial ao desenvolvimento despencou 23% em 2025 — um recorde —, corroendo as bases financeiras das quais os países mais pobres dependem, o déficit anual de financiamento para os ODS nos países em desenvolvimento gira em torno de US$ 4 trilhões

O caminho a seguir não é obscuro nem inalcançável. Os ODS continuam sendo nosso roteiro mais eficaz para a paz, a prosperidade e a sustentabilidade. Precisamos, urgentemente, colocá-los novamente no centro da tomada de decisões globais.

A Agenda 2030 reconhece que o desenvolvimento sustentável é um esforço coletivo, e não um jogo de soma zero, ações ambiciosas e coordenadas ainda trazem resultados. Os próximos quatro anos colocarão à prova o nosso ímpeto.


[1] Fonte: https://brasil.un.org/sites/default/files/2026-07/The-Sustainable-Development-Goals-Report-2026.pdf


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