Promoção é um dos “Ps” do tradicional mix de marketing e o que possui a maior visibilidade por ser a ferramenta que incita o consumo descontrolado, pouco responsável e por criar necessidade ou atribuir a um produto ou serviço um valor artificial (LAVILLE, 2009). Mas agora precisamos de todo apoio que esta técnica de marketing possui para promover um novo modelo de desenvolvimento.

Frequentemente, desenvolvimento é definido como crescimento econômico e medido pelo PIB (VEIGA, 2010). O PIB é a soma de todos os bens produzidos por uma sociedade, ou seja, o crescimento na maioria das vezes está intimamente ligado ao consumo.

Pelas regras econômicas atuais espera-se que as pessoas atendam as necessidades do mercado como trabalhadores e consumidores (EISLER, 2008), neste cenário, tanto a promoção como o desenvolvimento são tradicionalmente aliados. Por isso é tão difícil inserir o conceito de sustentabilidade neste contexto. A economia atual inverte a posição, é o mercado que deveria atender às necessidades dos seres humanos no planeta cada vez mais ameaçado (EISLER, 2008).

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Para promover um modelo de desenvolvimento mais sustentável os líderes de governos e das empresas devem modificar as regras econômicas, fazendo políticas para promover todas as estruturas existentes (família, escolas, empresas, governos, etc.) e ao mesmo tempo promover a solidariedade como valor cultural básico (EISLER, 2008).

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Em seu livro “Canibais de garfo e faca”, Elkington (2012) indica 39 passos para empresas responderem às 7 revoluções da sustentabilidade. Sua visão é bastante abrangente e serve como um guia para as empresas promoverem o desenvolvimento sustentável, competindo utilizando os três pilares da sustentabilidade como parte do negócio, ao mesmo tempo que usa a colaboração com clientes, fornecedores e até mesmo com a concorrência, estabelecendo parcerias para atender interesses mútuos sobre a sustentabilidade. Deve haver um compromisso com o tempo futuro, equilibrando o uso de recursos econômicos, humanos, ambientais e sociais hoje, sem roubar a riqueza do amanhã.

O ciclo de vida do produto deve ser buscado e direcionado para desmaterializar a economia, tudo isso feito com transparência e com governança para cumprir os objetivos e compromissos assumidos com todos os stakeholders. Deve existir um alinhamento com os novos valores sociais em ascensão, que exigirá que as organizações se adaptem, assumindo atitudes e comportamentos convergentes com as expectativas da sociedade (ELKINGTON, 2012).

Desenvolvimento relaciona-se com a expressão das expectativas mais amplas da sociedade, refere-se a pessoas, não a objetos (MAX-NEEF, 2012). Uma visão de prosperidade envolve a habilidade de florescermos como seres humanos, nos limites ecológicos do planeta finito (JACKSON, 2013).

Sustentabilidade é um conceito que envolve os negócios na melhora de qualidade de vida das pessoas, respeitando a diversidade cultural, conservando a integridade ecológica para gerações futuras, criando ao mesmo tempo valor aos acionistas (HART, 2006).

Promover é ser persuasivo para inspirar ações (KOTLER e LEE, 2011). Promover o Desenvolvimento Sustentável significa usar nossa imaginação, talento e capacidade para criar um mundo com uma economia solidária, que subsidie a sobrevivência, o desenvolvimento e a realização humana.

TANTERIOR                                                  TPROXIMO


  • [1] Downsizing: projeto para tornar a organização eficiente, eficaz, e o mais enxuta possível. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Downsizing. Acesso em 29/10/2016.
  • [2] Keiretsu é literalmente “combinação sem cabeça”. Termo japonês que designa um modelo empresarial onde há uma coalizão de empresas unidas por certos interesses econômicos. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Keiretsu. Acesso em 29/10/2016.