No esporte existe o Fair Play (jogo limpo), nos negócios o Fair Trade (comércio justo). Expressões usadas para que em ambientes competitivos o comportamento dos participantes seja limpo, justo e ético, deixando oportunidades para que qualquer pessoa vença o jogo. Competir faz parte do capitalismo, apenas os melhores merecem permanecer no mercado, é como uma seleção natural, as empresas que melhor utilizarem os recursos e conseguirem impactar o ambiente de forma positiva seguem em frente.

Em 2005 Kim e Mauborgne lançaram o livro “Estratégia do Oceano Azul: como criar novos mercados e tornar a concorrência irrelevante”. Nesta publicação eles classificam de oceanos vermelhos o mercado como é conhecido, onde as empresas tentam superar seus concorrentes com perspectivas de lucro e crescimento cada vez menores. E os oceanos azuis são os espaços de mercado inexplorados esperando pela criação de demanda com crescimento altamente lucrativo. A ideia sustenta que as empresas vencedoras devem parar de competir uma com as outras e criar um espaço único no mercado, um oceano azul, lugar onde não seria necessário lutar por um espaço no mercado.

Mas mesmo neste ambiente de oceano azul as empresas precisam buscar inovar cada vez mais suas formas de fazer negócios, já que em algum momento os concorrentes passarão a imitar suas estratégias (KIM e MAUBORGNE, 2005).

Em reportagem na Harvard Business Review (HBR) em 2013, McGrath diz que investir em estratégias de longo prazo não representa boas escolhas para as empresas, já que qualquer vantagem torna-se transitória devido a competição acelerada. Esta afirmação vai contra ao desenvolvimento sustentável que precisa de estratégias de longo prazo.

Mas para a maioria das empresas globais os dias de concorrência rápida e predatória terminaram, estão exaustas financeiramente, esgotadas intelectualmente para competir e inovar, e estão aprendendo que devem colaborar para competir (BLEEKE e ERNST apud MINTZBERG et all, 2006).

Inovar é o grande desafio de qualquer empresa e é também uma prerrogativa essencial para a sustentabilidade. Encontrar uma estratégia que permita maior criatividade, rapidez e menores investimentos pode ser a grande contribuição da colaboração (TAPSCOTT e WILLIAMS, 2007).

Pisano, em artigo de 2016 na revista HBR, escrito para reforçar que todos precisam de uma estratégia de inovação, fala que a estratégia de crowdsourcing[1] (colaboração coletiva) tem um ponto positivo de convidar um grande número de pessoas para colaborar, pessoas que muitas vezes não são conhecidas. Isto ajuda a enfrentar desafios e aumenta as chances de encontrar soluções mais rápidas, eficientes e criativas.

Algumas empresas já utilizam estratégias de crowdsourcing para dividir problemas com diferentes pessoas em buscas de soluções inovadoras. A tecnologia permite engajar os mais diferentes stakeholders em processos de inovação, que muitas vezes até de forma voluntária, melhoraram ideias, produtos e serviços. Isso permite que as empresas possam se desenvolver de forma mais rápida e concentrem energia em processos que realmente importam (TAPSCOTT e WILLIAMS, 2011).

O futuro da competição é desenvolver inovação cocriada com os clientes, isto é um novo diferencial estratégico para as empresas (PRAHALAD, 2004). A concorrência não exclui a colaboração (SACKS, 2008). E as empresas inteligentes estão abrindo suas informações para muitas partes interessadas externas, não apenas consumidores, como uma nova força competitiva indispensável para atrair colaboradores (TAPSCOTT e WILLIAMS, 2011).

TANTERIOR                                                  TPROXIMO


  • [1] Processo de obtenção de serviços, ideias ou conteúdo mediante a solicitação de contribuições de um grande grupo de pessoas e, especialmente, de uma comunidade online, em vez de usar fornecedores tradicionais ou uma equipe de empregados. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Crowdsourcing. Acesso em 5/10/2016.