Muitas das necessidades dos seres humanos são atendidas pela propriedade de bens e produtos. Ter, guardar e acumular são conceitos prezados (RIFKIN 2001).

Para Rifkin (2001), a velocidade das inovações tecnológicas e o ritmo estonteante das atividades econômicas estão tornando a noção de propriedade problemática.

“Em um mundo de produção customizada, de inovação e atualizações continuas e de ciclos de vida de produtos cada vez mais breves, tudo se torna quase imediatamente desatualizado. Ter, guardar e acumular, em uma economia em que a mudança em si é a única constante, faz cada vez menos sentido.” (RIFKIN, 2001, p. 5).

Toffler (2014) e Drucker (1999) já diziam que caminhávamos para uma era de conhecimento, isto muito antes de toda a tecnologia de hoje propiciar que a economia em rede fosse tomando o lugar da economia de mercado. Para Rifkin (2001) a propriedade física e intelectual tem mais probabilidade de ser acessada que trocada. Posse era o coração da vida industrial e agora torna-se marginal. Conceitos, ideias e imagens, não coisas, representam os verdadeiros valores da nova economia. A riqueza está na imaginação e criatividade humana.

As relações de acesso produzirão um ser humano diferente, com um novo significado do ser, em detrimento do ter (RIFKIN, 2001). Há uma mudança na natureza do sistema capitalista, deixando de ser focado na produção industrial para a produção cultural. O envolvimento do marketing será com um vasto universo cultural e não mais com bens e serviços industriais. É uma transição para uma economia de experiência.

“A transformação do capitalismo industrial para cultural está desafiando muitas de nossas suposições básicas sobre o que constitui a sociedade humana. As antigas instituições fundadas nas relações com propriedade, nas trocas de mercado e no acúmulo de bens materiais estão sendo arrancadas lentamente para dar lugar a uma era em que a cultura se torna o recurso comercial mais importante, o tempo e a atenção se tornam a posse mais valiosa e a própria vida de cada indivíduo se torna o melhor mercado” (RIFKIN, 2011, p. 9).

Segundo Rifkin (2001), as grandes mudanças que alteram o modo de pensar e agir vão pegando a sociedade de surpresa até que um dia tudo que sabemos torna-se ultrapassado e um mundo novo se apresenta. Foi assim com a Era Industrial, que começou no século XVII, mas foi batizada com este termo apenas no final do século XIX. Ele fala que uma nova forma de capitalismo tem estado em lenta gestação e agora está prestes a superar a Era Industrial, que depois de centenas de anos convertendo recursos materiais em bens para serem adquiridos, passamos a converter cada vez mais os recursos culturais em experiências e entretenimentos pagos. Na era do capitalismo cultural o acesso torna-se mais relevante que a propriedade.

Esta não é uma transição tão simples. É difícil para as empresas enxergarem todo o cenário, principalmente quando o modelo de negócio anterior, por mais críticas que receba, ainda mostra que pode fazer as empresas funcionarem com sucesso por muitos anos.

Vivemos num mundo de símbolos, webs e laços de facebook, conectados e em interação, os limites e fronteiras são indistinguíveis e tudo que é sólido começa a desmanchar (RIFKIN, 2011).

A despeito de todos os percalços e reveses, as probabilidades são de que o mundo produza mais, e não menos riquezas nos dias que estão por vir (TOFFLER e TOFFLER, 2012). Dá para imaginar como produzir mais riquezas sem exceder os limites planetários para garantir a sustentabilidade: promovendo mais acesso e menos a posse.

TANTERIOR                                                  TPROXIMO