Diversas organizações empresariais aplicam uma forma mais humana de operar. De acordo com o livro “Firms of Endearment(SISODIA, WOLF e SHETH, 2015), as empresas humanizadas veem o bem-estar de cada stakeholder (parte interessada) como um fim em si mesmo, e não como uma maneira de maximizar a riqueza dos acionistas.

SObrigações

Barbieri e Cajazeira (2011) falam que uma organização sustentável deve incorporar os conceitos de desenvolvimento sustentável em suas políticas e práticas de forma consistente.

“(empresa sustentável) procura ser eficiente em termos econômicos, respeitar a capacidade de suporte do meio ambiente e ser instrumento de justiça social, promovendo a inclusão social, a proteção às minorias e grupos vulneráveis, o equilíbrio de gênero etc.” (BARBIERI e CAJAZEIRA, 2011, p. 68).

Sukhdev (2013) escreve que a mudança de comportamento das corporações rumo a sustentabilidade não vai simplesmente acontecer, já que muitos dos exemplos de empresas neste rumo dependem ainda de poucas pessoas que estão na direção dos negócios. Ainda segundo ele, não existirão soluções simples ou elegantes, mas o desafio é urgente e precisaremos de empresas com um novo DNA composto de 4 elementos.

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Resultados de empresas humanizadas e com um propósito alinhado com a busca do bem-estar e não apenas a busca do lucro podem ser medidos e comparados com outras empresas que fazem parte de outros índices de desempenho, como Good to Great[1] e S&P 500[2].

Sdesempenho

Os resultados das empresas humanizadas (SISODIA, WOLF e SHETH, 2015) superam o crescimento em todos os períodos das empresas do índice S&P 500. E supera de 5 a 15 anos no índice da Good to Great.

Este estudo mostra que empresas conectadas e comprometidas com um modelo de desenvolvimento mais alinhado com a sustentabilidade conseguem obter resultados maiores no longo prazo e também conquistam resultados melhores no curto prazo. Como boa parte das empresas e seus acionistas são convencidos por números, este estudo pode ser um ponto de partida para que mais empresas se convertam a um modelo sustentável de negócio.

Algumas tendências podem ser decisivas para fazer que as empresas assumam o protagonismo do desenvolvimento sustentável. Uma delas é a mudança no comportamento das pessoas.

The Sustainability Imperative, New Insights on Consumer Expectation (O Imperativo da Sustentabilidade, Novos Conhecimentos sobre Expectativas do Consumidor) é o título de pesquisa que a Nielsen[3] fez com mais de 30 mil pessoas da geração Millenniall (Nascidos a partir de 1980) em 60 países. O número de pessoas que declararam querer pagar mais por produtos com impactos positivos nas dimensões social e ambiental cresceu pelo terceiro ano seguido. A conclusão deste estudo é que os consumidores estão tentando ser cidadãos responsáveis do mundo, adotando comportamentos mais sustentáveis.

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De alguma forma os acionistas também estão mudando seu comportamento, dando preferencia para investir em empresas que possuam uma boa governança em sustentabilidade.

A pesquisa de 2016, Research Report Investing for a Sustainable Future (Relatório de Pesquisa de Investimento para um Futuro Sustentável) foi feita pelo MIT Sloan Management Review[4]em parceria com The Boston Consulting Group[5] (BCG) com 7.011 pessoas de 113 países. 579 destas pessoas se identificaram como investidores. 74% dos investidores responderam que a sustentabilidade é mais importante do que há 3 anos.

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Outro ponto que pode fazer as empresas assumirem seu papel de protagonismo é o fato que a recusa ao desafio dos 3 pilares da sustentabilidade é um risco de extinção, tanto para as grandes corporações como para as pequenas empresas (ELKINGTON, 2012).

O interesse das empresas é conquistar e manter clientes (DRUCKER, 2008). E as empresas que não entenderem que a manutenção de seus clientes só será possível com o desenvolvimento de um novo modelo de negócio colocarão sua existência em jogo.

Segundo Laville (2009), uma empresa precisa de harmonia com o mundo. Seguir suas características-chave para ser uma empresa responsável é uma boa maneira de contribuir efetivamente com o desenvolvimento sustentável e criar um mundo um pouco melhor, não por altruísmo, mas por natureza.

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“Acreditamos que o caminho para a humanidade é libertar o heroico espírito dos negócios e nossa criatividade empreendedora coletiva, para que ambos possam confrontar os muitos desafios assustadores que enfrentamos. No mundo não faltam oportunidades. De um lado, existem milhares de pessoas cujas necessidades básicas não são atendidas. De outro, temos de repensar como atender as sociedades mais prósperas de maneira mais sustentável. As empresas que reconhecerem os desafios contemporâneos e desbloquearem o espírito criativo natural do ser humano para aproveitar as oportunidades vão florescer durante longo tempo.” (MACKEY e SISODIA, 2013, p. 42-43).

Isto que se espera das empresas: que assumam sua responsabilidade e seu protagonismo para a sustentabilidade.

TANTERIOR                                                  TPROXIMO


  • [1] Empresas feitas para Vencer é um Best Seller do autor americano Jim C. Collins. Indica 11 empresas com resultados excepcionais e que deveriam ter suas fórmulas de sucesso seguidas como melhores práticas. Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Good_to_Great. Acesso em 24/09/2016.
  • [2] O S&P 500® é amplamente considerado o melhor indicador individual do mercado acionário americano de grande capitalização. Há mais de USD 7,8 trilhões referenciados no índice, com ativos do índice compondo aproximadamente US$ 2,2 trilhão deste total. O índice inclui as 500 empresas líderes e capta cerca de 80% de cobertura de capitalização de mercado disponível. Fonte: http://www.portugues.spindices.com/indices/equity/sp-500. Acesso em 24/09/2016.
  • [3] Nielsen é uma empresa de pesquisa presente em mais de 100 países e investiga tendências e hábitos dos consumidores ao redor do mundo. Fonte: http://www.nielsen.com/br/pt/about-us.html. Acesso em 26/10/2016.
  • [4] MIT Sloan Management Review é uma publicação com conteúdo para gestão e de ideias inovadoras geradas pela rápida mudança organizacional, tecnológica e social. Fonte: http://sloanreview.mit.edu/about/. Acesso em 26/10/2016.
  • [5] Boston Consulting Group possui 85 escritórios em 48 países, mais de 12.000 funcionários, mais de 900 parceiros e mais de 18.000 alunos. Fonte: https://www.bcg.com/about/bcg-today/default.aspx. Acesso em 26/10/2016.