Muitos são os obstáculos para trilhar o caminho do desenvolvimento sustentável. A Organização das Nações Unidas (ONU) preparou um documento aprovado por consenso pelos líderes de Governo e Estado chamado “Transformando nosso mundo: a agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável” (2015). O documento divulga os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável[1] (ODS), um pacote com 17 objetivos e 169 metas.

Os ODS trazem os principais temas emergenciais que desafiam o desenvolvimento sustentável em todas as suas 3 dimensões: a econômica, a social e a ambiental. Representa um plano de ação para as pessoas, para o planeta e para a prosperidade, com objetivos a serem atingidos até 2030.

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A implementação com sucesso desta agenda dependerá de muitas parcerias globais, incluindo governos, sociedade civil, academia, mídia, Nações Unidas e com toda certeza, da participação ativa do setor privado. No documento, quando abordado os meios de implementação e parcerias da agenda, o setor privado recebe diretamente sua convocação à participar:

“67. A atividade empresarial privada, o investimento e a inovação são os principais elementos impulsionadores da produtividade, do crescimento econômico inclusivo e da criação de emprego. Reconhecemos a diversidade do setor privado, que vai desde as microempresas e cooperativas às multinacionais. Convocamos todas as empresas a aplicar sua criatividade e inovação na resolução dos desafios do desenvolvimento sustentável. Vamos promover um setor empresarial dinâmico e funcional, ao mesmo tempo em que protegemos os direitos trabalhistas e as normas ambientais e sanitárias em conformidade com as normas e acordos internacionais relevantes e outras iniciativas em curso a este respeito, tais como os Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos e as normas de trabalho da Organização Internacional do Trabalho, a Convenção sobre os Direitos da Criança e os acordos-chave ambientais multilaterais, para as partes nesses acordos.” (Agenda 2030, 2015, p. 35).

Atender as emergências do desenvolvimento sustentável deve ser prioritário para as empresas, já que a atuação pelo interesse delas no planeta é que muitas vezes motivou ou acelerou o aparecimento dos problemas socioambientais.

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O documento “As empresas frente aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável” (2016) afirma que as empresas devem possuir uma perspectiva integrada entre todos os ODS, em que o trabalho com um objetivo pode impactar tanto positiva como negativamente os demais, que a adesão aos ODS é uma prática efetiva, com compromissos, investimentos, prazos e monitoramento, e que exigirá das empresas uma atuação interdependente, com sinergia e cooperação entre diversos atores.

Todos os ODS trazem os grandes temas emergenciais para o equilíbrio das três dimensões do desenvolvimento sustentável: econômica, social e ambiental. A Agenda 2030 (2015) mostra a determinação de tomar medidas ousadas e transformadoras que são urgentemente necessárias para direcionar o mundo para um caminho sustentável e resiliente.

A jornada é coletiva e o compromisso é não deixar ninguém para trás, sendo necessário um amplo engajamento e inclusão para que os objetivos sejam alcançados (Agenda 2030, 2015). E diversos temas emergem diante deste cenário para que as ambições dos ODS sejam realizadas, melhorando a vida de todos e transformando o mundo para melhor.

Os temas emergentes são:

Propósito das empresas: As empresas dedicadas a fazer do mundo um lugar melhor possuem resultados financeiros melhores das que perseguem apenas o lucro (REIMAN 2013). Empresas humanizadas, ao contrário do que se pensava, também produzem resultados em curto prazo (SISODIA, WOLF e SHETH, 2015). O propósito é a razão de existir de uma empresa, e porque o negócio existe ou precisa existir são perguntas cruciais para as empresas (MACKEY e SISODIA, 2013).

Cultura da colaboração: Existe a fábula dos lobos. Todos temos dentro de nós 2 lobos, um mau e um bom que vivem em conflito. Sempre ganha o lobo que é mais alimentado. Competir era fácil, as empresas conheciam seu mercado, as forças que influenciavam e o poder de seus concorrentes. Com a tecnologia conectando todo o mundo em rede, manter controle da competição é praticamente impossível. A velocidade como tudo acontece, e a forma como todos podem divulgar sua criatividade e inovação exige que as empresas cultivem e pratiquem uma cultura de colaboração (TAPSCOTT e WILLIAMS, 2007). Será o único caminho para continuar competindo (PRAHALAD, 2004).

Era do acesso: A posse e propriedade estão sob avaliação, valendo mais o acesso a um serviço ou benefício esperado de algum produto ou serviço do que a compra com transferência de posse (RIFKIN, 2001).

Economia Compartilhada: A economia compartilhada já está criando raízes e crescendo (GANSKY, 2011). Bens tradicionalmente considerados proprietários estão se transformando em bens de uso comum, sendo compartilhados de muitas formas por negócios altamente disruptivos, amparados na tecnologia e na internet (RIFKIN, 2016).

Economia circular: Economia circular entra em cena contra a obsolescência programada. Para o químico alemão Michael Braungart (2013), uma sociedade que começa a cuidar dos resíduos começou a lidar com a questão a partir da extremidade errada da cadeia. Ele defende a economia circular e que a preocupação inicial das empresas deve ser conceber produtos que não gerem resíduos.

Visão de abundância: Alvin e Heid Toffler (2006) dizem que culturas que buscam riqueza nem sempre a alcançam, mas todas que louvam a virtude da pobreza obtém exatamente o que desejaram. Libertar a raça humana da tirania da escassez e da pobreza é responsabilidade de todos os países e todas as partes interessadas (Agenda 2030, 2015).

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Marketing como aliado da sustentabilidade: O caráter do marketing se transforma com as mudanças de comportamento do consumidor, sendo mais colaborativo, cultural e espiritual (KOTLER, KARTAJAYA e SETIAWAN, 2010). O propósito maior do marketing é entender a fundo as necessidades e desejos das pessoas para que as empresas as satisfaçam e contribuam com a melhora da qualidade de vida dos clientes (MACKEY e SISODIA, 2013). O comércio responsável só será possível se os consumidores entenderem o valor agregado dos produtos responsáveis e o marketing e a comunicação terão importância fundamental para isso (LAVILLE, 2009).

As empresas do futuro devem possuir metas sociais, aumentar o bem-estar humano, a igualdade social, a harmonia comunitária e reduzir a escassez ecológica e os riscos ambientais (SUKHDEV, 2013). Aliar o trabalho para atender aos temas emergências dos ODS com o desenvolvimento dos temas emergentes pode ser a grande contribuição das empresas para implantar as medidas ousadas, transformadoras e necessárias que colocarão o mundo no caminho sustentável e resiliente como diz a agenda 2030 (2015).

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  • [1] Os ODS foram preparados em substituição, em continuidade e para aumentar o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), a agenda lançada em 2000 pela ONU para combater a pobreza e outros males da sociedade até o ano de 2015, que possuía 8 objetivos.