Business as usual[1] (BAU) se refere à conduta normal dos negócios e de suas operações, independentemente das circunstâncias ou de eventos que representem um potencial impacto negativo. Também significa a manutenção do status quo.

“Pois a preocupação obsessiva com o dinheiro, as mercadorias e coisas é um reflexo, não do capitalismo ou do socialismo, mas do industrialismo. É um reflexo do papel central do mercado em todas as sociedades em que a produção está divorciada do consumo em que todo o mundo é dependente do mercado mais do que suas próprias aptidões produtivas para as necessidades da vida.” (TOFFLER, 2014, p. 54).

A evolução da forma de operar e prosperar das empresas foi baseada na expansão e criação de demanda, inovação dos produtos e produção barata, com pouca limitação às responsabilidades para seus acionistas e com redução de qualquer restrição impostas às suas atividades em questões de tempo, local e propósito (SUKHDEV, 2013).

Sukhdev (2013) chama as empresas que atuam desta forma de Corporações 1920. Diz que possuem 4 características fundamentais: (i) busca por tamanho e escala; (ii) lobby agressivo para obter vantagens regulatórias e competitivas; (iii) ampla utilização da publicidade para aumentar demanda e consumo sem considerações éticas; e (iv) fundos emprestados para alavancar investimentos de seus acionistas.

Desde o início da Revolução Industrial as empresas trabalham explorando matérias-primas baratas, explorando a mão de obra em fábricas e produzindo grande quantidade de resíduos e poluição. Assumiu-se que a poluição era parte do processo com o paradigma pegue, use e descarte (HART, 2006).

Penteado (2008) faz uma reflexão de que o custo de produção não inclui os custos da exaustão dos recursos naturais, nem do esfacelamento ecológico, e que o preço cobrado reproduz apenas o prazer imediato do consumidor em usufruir um bem ou serviço, sem considerar qualquer impacto ambiental, ou seja, sem preocupações com relação a qualquer tradeoff[2].

A economia global se transformou num jogo de perde e ganha, uma verdadeira guerra econômica, que construiu um cenário de grande competição entre as empresas para ganhar mercado (HENDERSON, 2007).

As empresas da Revolução Industrial atuam com seis princípios: (i) padronizar tudo, produtos, processos e preços; (ii) especializar a mão de obra sem preocupações com a diversidade; (iii) sincronizar a rotina de todos com horas marcadas no relógio; (iv) de concentrar mercados, população e até locais de trabalho; (v) de maximizar o crescimento mesmo sob o risco de desastre ecológico e social, fornecendo ao que é grande o sinônimo de eficiência; e (vi) e centralizar poder e operações das companhias, industrias e economia como um todo (TOFFLER, 2014).

Empresas são instituições com propósito único de produzir bens e serviços para o mercado (DASGUPTA, 2008). Esta pode ser uma boa definição para BAU.

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