A resiliência da vida humana e dos ecossistemas de nosso planeta está chegando ao seu limite de operação (Planetary Boundaries, 2015) e todos devem atuar numa jornada coletiva e em parceria colaborativa para criar um futuro sustentável para a vida no planeta e garantir que ninguém seja deixado para trás (Agenda 2030, 2015).

Para o PNUD[1] (2004) desenvolvimento está relacionado com a possibilidade de as pessoas viverem o tipo de vida que escolheram e com a provisão dos instrumentos e das oportunidades para fazerem suas escolhas.

De acordo com a ISO 26000[2]:

“Desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações de suprir suas próprias necessidades.” (ISO 26000, 2010, p. 4).

“Desenvolvimento sustentável refere-se à integração de objetivos de alta qualidade de vida, saúde e prosperidade com justiça social e manutenção da capacidade da Terra de suportar a vida em toda a sua diversidade. Esses objetivos sociais, econômicos e ambientais são interdependentes e reforçam-se mutuamente. Desenvolvimento sustentável pode ser tratado como uma forma de expressar as expectativas mais amplas da sociedade como um todo.“ (ISO 26000, 2010, p. 4).

A definição de desenvolvimento sustentável é bem sucinta e aparentemente simples. E sua complexidade aparece exatamente por isso. Sugere que exista um pacto de uso dos recursos para que não faltem entre a geração atual de pessoas e as gerações futuras de pessoas que muitas vezes nem conheceremos. O conceito também deixa aberto o que considerar como necessidades atuais e futuras e quais recursos poderiam ser utilizados em todas as gerações para esta satisfação.

The Natural Step (TNS – O Passo Natural) é uma metodologia e também uma organização iniciada pelo sueco Karl-Henrik Ròbert, que utiliza o pensamento sistêmico como ferramenta para apoiar o desenvolvimento sustentável. A proposta dele possui uma visão destinada à ação. O sistema em foco é a sociedade humana vivendo na Terra. Para o sistema ter sucesso é preciso atender 4 condições sistêmicas.

tab2

As 4 condições são necessárias para a sustentabilidade, sendo as 3 primeiras para o meio ambiente e a 4ª para a sociedade (RÒBERT, 2002). Se todas não forem atendidas em harmonia a sustentabilidade não acontecerá, é um sistema que precisa estar em perfeita harmonia.

fig2

As regras da sustentabilidade não podem ser aplicadas de forma isolada e o Processo ABCD é o caminho sugerido para alcança-la. Estratégias e planos de ação devem ser criados, para isso Ròbert (2002) sugere o método ABCD, que deve ser implantado usando as melhores ferramentas disponíveis, com a medição e publicação de resultados.

tab3

O tripé da sustentabilidade sugerido por Elkington (2012) costuma ser representado como indicado abaixo.

 fig3

Branco (2012) sugere uma nova representação gráfica para o tripé, que indica uma visão mais sistêmica para a sustentabilidade, conforme imagem a seguir.

fig4

Para Branco (2012), a economia é um subsistema da sociedade, deve estar a serviço das pessoas e não das coisas, e deve estar alinhada com os limites impostos pela biosfera.

Esta nova representação gráfica nos leva a afirmar que não há dúvidas de que sustentabilidade é um processo sistêmico e não é possível separar qualquer aspecto do desenvolvimento da busca por um futuro possível à todos. Tratar as dimensões da sustentabilidade de forma isolada ou parcial não trará as respostas necessárias para atender aos desafios que os limites planetários nos impõe.

TANTERIOR                                                  TPROXIMO


  • [1] Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) é o órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) que tem por mandato promover o desenvolvimento e eliminar a pobreza no mundo. Fonte: http://www.br.undp.org/content/brazil/pt/home/ourwork/overview.html. Acesso em 02/09/2016.
  • [2] A ISO 26000 foi elaborada pelo ISO/TMB Working Group on Social Responsibility (ISO/TMB WG SR) por meio de um processo multi-partite que envolveu especialistas de mais de 90 países e 40 organizações internacionais ou com ampla atuação regional envolvidas em diferentes aspectos da responsabilidade social. É uma norma para auxiliar as organizações a contribuírem para o desenvolvimento sustentável. Não é uma norma de sistema de gestão, não visa e nem é apropriada a fins de certificação ou uso regulatório ou contratual. A escolha desta definição de desenvolvimento sustentável pela ISO 26000 se deu por ter sido construída multi-partide, de forma colaborativa e por consenso por diversos países e organizações, apesar de ser a mesma definição tradicional sobre desenvolvimento sustentável feita no Relatório Brundtland de 1987.