A raça humana tem administrado o planeta de forma a exaurir seus recursos num ritmo frenético, testando a resiliência dos ecossistemas ao máximo. Nesta toada não resta dúvida que teremos escassez dos mais básicos recursos para manter a vida, como a água potável, ar respirável e terras possíveis de cultivo de alimentos.

A gana por criar domínio e explorar o planeta subjugando toda a natureza parece ser a maior motivação humana. E o mundo dos negócios e suas empresas tratam o planeta e a sociedade em geral como se não houvesse limites para o crescimento para o atual modelo de desenvolvimento.

Os desejos humanos podem não ter limites, mas com certeza o planeta possui limites para atendê-los. Seguir o modelo de desenvolvimento com crescimento contínuo e amparado pelo pensamento que os recursos do planeta não possuem fim e com a prática de sua exploração e uso sem considerar impactos levará a civilização humana e todos os seus empreendimentos ao desastre.

Várias são as emergências que precisam de atenção e ações da sociedade, do governo, de organizações não governamentais e principalmente das empresas, provavelmente os principais vetores de impacto socioambiental para cumprir sua função de atender as necessidades humanas. A principal delas com certeza é o aquecimento global, que chegou num ponto que não pode mais ser freado por completo, exigindo grande planejamento de adaptações para enfrentar as mudanças climáticas em curso.

O aquecimento global é uma das maiores externalidades do trabalho das empresas no planeta, mas não o único. Poluição, descarte de lixo, ciclos curtos de vida de produto, introdução de novos compostos na biosfera sem saber que impactos realmente poderão produzir e muitas outras questões precisam ser encaradas de frente pelo setor privado global, exigindo alteração em seus modelos de negócio em curto espaço de tempo e com um grau de inovação e disrupção jamais experimentado em toda a história do desenvolvimento.

Cientistas do Stockholm Resilience Centre[1] (Centro de Resiliência de Estocolmo) identificaram 9 fronteiras que estabelecem os limites seguros para a viabilidade da operação e existência do planeta. Consequentemente para a operação e vida humana.

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Dos 9 limites apontados por este estudo, 4 já foram ultrapassados. Cada um destes limites possui um impacto para os negócios e suas empresas. Ultrapassá-los, quebrando a resiliência dos ecossistemas, significará um grande problema para a sobrevivência do setor privado e da economia da forma como a conhecemos.

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As empresas, sejam elas novas ou antigas, pequenas ou grandes, locais ou globais, precisarão assumir seu papel de protagonismo para criar um novo modelo de economia que tenha a sustentabilidade como pilar. Todas as empresas precisarão de uma visão de longo prazo para que os resultados que buscam satisfazer para a gestão presente não prejudiquem a satisfação de resultados das gestões futuras.

TANTERIOR                                        TPROXIMO


    • [1] Investiga e aprofunda a governança e a gestão dos sistemas sócio-ecológicos para assegurar a manutenção dos serviços ecossistêmicos para o bem-estar humano e resiliência para a sustentabilidade a longo prazo. Fonte: Fonte: http://www.stockholmresilience.org. Acesso em 2/09/2016.
    • [2] Os impactos, bem como os riscos aos negócios indicados não pretendem esgotar toda discussão sobre o tema, apenas ilustrar a ideia.
    • [3] Os riscos são sistêmicos e servem como exemplo para vários problemas em se ultrapassar os limites, que também possuem inter-relação sistêmica.